sábado, 9 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Maria Teresa de Noronha - Fados 'Alexandrino' - (1961) [LP]
A1. Alexandrino
A2. Minha luz
A3. Desengano
A4. Sou feliz
A5. Canção duma tricana
A6. Rosa Enjeitada
B1. Minha dor
B2. ...
terça-feira, 5 de junho de 2012
Maria Teresa de Noronha
Maria Teresa de Noronha, tratada carinhosamente por Baté, foi uma fadista portuguesa de origem aristocrática.
Fadista, Maria Teresa do Carmo de Noronha Guimarães Seródio, nasceu a 7 de setembro de 1918, em Lisboa, e faleceu a 5 de julho de 1993, em Sintra. Juntamente com Amália Rodrigues, Hermínia Silva e Alfredo Marceneiro, é a mais significativa voz do fado no século XX. Foi a primeira grande representante do chamado «fado aristocrático». E é tia do fadista Vicente da Câmara.
Maria Teresa de Noronha é descendente dos condes de Paraty, o primeiro dos quais foi Par do Reino e Gentil-Homem da Câmara de D. João VI. E viria a tornar-se Condessa de Sabrosa por casamento com José António Barbosa Guimarães Seródio. O meio aristocrático onde sempre viveu marcou indelevelmente todo o seu percurso artístico. armazemdefados.blogspot
Sobrinha-neta do guitarrista e cantador João do Carmo de Noronha, integrou, juntamente com o seu irmão, Vasco de Noronha, o coro do maestro Ivo Cruz. Teve formação de canto e piano.
Começou a cantar fado muito nova, no círculo restrito de familiares e amigos, que se foi alargando a outras casas e salões. Em Alcochete, nas terras da sua família, onde passava o verão, surpreendia de quando em vez a população com a sua esplendorosa voz, em serões de fado ao ar livre.
Em 1938, iniciou a sua colaboração semanal num programa radiofónico da recentemente fundada Emissora Nacional que consistia em quatro fados e uma guitarrada, de início acompanhada por Fernando Freitas e Abel Negrão. Manteve o programa 23 anos consecutivos. Em 1939, gravou o seu primeiro álbum, na própria Emissora Nacional. A que se seguiram dezenas de outros, numa discografia muito dispersa, como era habitual na época. Destaca-se por isso a coletânea editada pela Emi-Valentim de Carvalho em 1993.
A sua voz límpida e bem timbrada, com um estilo único e bem definido, chegou a rivalizar com a de Amália Rodrigues. E conquistou muitos admiradores de todas as classes sociais, participando regularmente em concertos de beneficência. Teve também uma carreira internacional brilhante, de que se destacam as atuações na Feira do Livro de Barcelona, no Principado do Mónaco, na BBC e uma digressão que fez no Brasil, aquando da inauguração do voo Lisboa-Rio de janeiro.
Conta com um reportório muito vasto e com algumas ousadias, como a de cantar o fado de Coimbra, que, segundo a tradição, só era interpretado por homens. São muitas as interpretações que a imortalizaram. Entre outros fados, "Pintadinho" (José Mariano), "Fado João" (Maria Carlota de Noronha/João de Noronha), "Fado das Horas" (António de Bragança), "Saudades das Saudades" (António de Bragança/José António Sabrosa), "Fado Anadia" (Marques dos Santos), "De Loucura em Loucura" (João Dias/Martinho d'Assunção), "Desengano" (Mário Pissarra/José Marques) ou "Fado da Verdade", este último em resposta à polémica levantada pelas conferências de Luís Moita na Emissora Nacional, Fado Canção de Vencidos. Ela própria escreveu algumas letras, incluindo uma versão do "Fado Corrido", a que chamou "Corrido Antigo". Foram muitos os guitarristas que a acompanharam, com destaque para Raul Nery, Joaquim Vale e Joel Pina.
Em 1962 pôs fim à sua carreira artística. E teve uma grandiosa festa de homenagem onde participaram grandes figuras do fado. A partir daí passou a cantar apenas num círculo fechado de amigos e familiares. A sua última aparição pública foi em 1973.
Faleceu aos 74 anos, em Sintra. Foram-lhe prestadas inúmeras homenagens. É considerada uma das maiores fadistas de sempre e uma referência recorrente nas gerações que se lhe seguiram, embora a sua voz seja inimitável. armazemdefados.blogspot A cidade de Lisboa prestou-lhe um justo tributo ao atribuir o seu nome a uma rua da cidade, no Bairro do Camarão da Ajuda.
Fonte: Portaldofado
terça-feira, 29 de maio de 2012
Ada de Castro
Ada Antunes Pereira nasceu na freguesia do Castelo o que a levou a adoptar o nome artístico de Ada de Castro, sinónimo do seu bairro de berço.
O seu percurso artístico começou quando se tornou actriz amadora no Grupo da Juventude Operária Católica. Nos palcos do teatro Ada de Castro cantava e interpretava os números de Hermínia Silva, que era para si a “referência e fadista preferida”. AF
Num ensaio de uma destas revistas amadoras, a locutora Julieta Fernandes ao ouvi-la cantar surpreendeu-se com a sua voz e convidou-a para actuar num programa da Rádio Graça. Seguiram-se 20 dias de actuação na Nau Catrineta e a formalização do pedido de carteira profissional. AF
A 13 de Março de 1960 Ada de Castro fez a sua estreia como fadista profissional no restaurante Faia, casa típica onde permaneceu durante ano e meio. Desta forma, deixou de cantar os fados de Hermínia e passou a escolher o seu próprio repertório. Conta a própria Ada de Castro que foi “o Ti Alfredo, foi ele que me deu a primeira letra e me ensinou a cantar o meu primeiro fado castiço, o Fado Tango.” AF
Apesar da profissionalização ser uma decisão difícil para Ada de Castro, por a sua família não concordar que cantasse Fado, no universo fadista recebeu o maior apoio e chegou mesmo a ter duas madrinhas artísticas – Hermínia Silva e Maria José da Guia, as quais, em diferentes ocasiões, colocaram sobre os seus ombros o simbólico xaile fadista. AF
Ada de Castro não actuou em muitas casas de Fado, depois do Faia fez uma breve passagem pela casa de Carlos Ramos, A Toca, e, em substituição da fadista Fernanda Peres, estabeleceu-se no restaurante Folclore ao longo de 12 anos, entre 1961 e 1973. Posteriormente fez também parte do elenco do Sr. Vinho durante 12 anos. AF
Após a sua estreia profissional, Ada de Castro prestou provas na Emissora Nacional e passou a integrar a programação em directo, dos serões para trabalhadores, bem como a dos chamados programas de cabine, onde as actuações eram previamente gravadas. Foi também através da Emissora Nacional que gravou o seu primeiro disco, em 1961. AF
Com a editora Alvorada trabalhou durante 7 ou 8 anos, depois passou pela Valentim de Carvalho, Philips, Estúdio, Movieplay e Ovação. Ada de Castro gravou, ainda, um disco na Holanda, editado pela Polydor naquele país. AF
Na sua vasta discografia incluem-se 25 LP´s, 80 singles e EP´s, reedições em CD e participações em várias colectâneas. Dos seus inúmeros sucessos destacam-se temas como "Rosa Caída", "Cigano", "Gosto de tudo o que é teu" ou "Deste-me um cravo encarnado". Ada de Castro foi também uma das mais carismáticas madrinhas das Marchas Populares dos principais bairros de Lisboa e, naturalmente, no seu repertório encontram-se interpretações de temas das Marchas Populares. O seu repertório está disponível em mais de 500 faixas gravadas, entre fados, marchas e fado-canção. AF
Numa breve passagem pelos palcos do teatro de revista, a convite de Milton e de Eduardo Damas, estreou-se no Teatro Maria Vitória, na peça "Tudo à Mostra" (1966), onde cantou os temas "Na Hora da Despedida" e "Fado da Guerra". Ao longo das décadas de 1960, 70 e 80, para além de ser presença nos elencos das casas de Fado de Lisboa, Ada de Castro conciliou essas actuações com outras apresentações, nomeadamente no Mercado da Primavera (depois chamado Mercado 25 de Abril), onde actuava num restaurante e num barco; ou noutros restaurantes, como a Varanda do Chanceler e a Varandinha; chegando a cantar 4 ou 5 vezes numa noite. Nos meses de Abril A Setembro a fadista integrava, ainda, a programação “Alfama à Noite”, organizada pelo SNI, onde cantava dois fados na escadaria da Igreja de Santo Estêvão e depois fazia nova actuação no coreto do Largo da Palmeira. Fez estas actuações durante 5 anos. AF
Ada de Castro apresentou-se com regularidade em programas televisivos, nos casinos e salas de espectáculos espalhadas pelo país e, internacionalmente, efectuou inúmeras deslocações em representação de Portugal, através do SNI (Secretariado de Informação Nacional), bem como actuações junto das diversas comunidades portuguesas. AF
Acrescente-se que a fadista actuou profissionalmente, em espectáculos ao vivo e programas de televisão, em países como: Espanha, Austrália, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Holanda, Japão, China, França, Itália, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá e toda a antiga África portuguesa. No Mónaco fez uma actuação para a família do príncipe Rainier nos jardins do Palácio Grimaldi. Em 1968, fez uma tournée de mais de 5 meses por todos os Estados brasileiros, a convite do governo daquele país. AF
Congratula-se por ter conhecido, convivido e cantado com os melhores fadistas, das chamadas décadas áureas do Fado, época de "grandes fadistas e excelentes repertórios". Ada de Castro menciona Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Manuel de Almeida, Tristão da Silva, Fernanda Maria, Maria José da Guia, sem esquecer aquela que denomina sua fonte de inspiração: Hermínia Silva. Também o acompanhamento é digno de nota, uma vez que foi acompanhada por nomes conceituados como António Chainho, José Maria Nóbrega, José Fontes Rocha ou Pedro Caldeira Cabral. AF
Para Ada de Castro “O Fado não é aquilo que se canta, o Fado está na garganta de quem o canta porque se eu quiser cantar uma canção, ela sai sempre Fado”. Essa sua forma característica e individualizada de interpretação resultou na atribuição de prémios como o de"Melhor Fadista da Quinzena" (1962), por votação do público para o programa da RTP “Eleitos da Quinzena”; o "Óscar para Melhor Fadista do ano" (1967), atribuído pela Casa da Imprensa ou o de "Melhor Fadista do Ano" (1982), pela Revista Nova Gente. Foram-lhe também entregues pelo Rádio Clube Português vários “Elefantes de Ouro” e um “Microfone de Prata”. Ada de Castro classificou-se em 10º lugar no "Disco de Ouro" e, por duas vezes, em 9º lugar no "Concurso Rainha da Rádio e da Televisão". AF
Fonte: Museu do Fado
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